#1079

O papel químico inviabiliza a opacidade do papel comum.

#1078

É mais mesilla de noche que mesa-de-cabeceira.

#1077

A roupa vazia – oca – das lojas.

#1076

Sacudimos o suor da testa sempre que escapamos por pouco.

[EXTRA #225]

216ª Semana: #1076 a #1080: Constatações XXXI

#1075

Anula-se o passado com o perdão, o presente com a tradição.

#1074

Ponte: nome da distância entre duas margens.

#1073

Uma ponte ainda em pé é o passado de uma ruína.

#1072

Laconismo é dizer o mínimo.

#1071

Se se pode explicar, poder-se-ia prever.

[EXTRA #224]

215ª Semana: #1071 a #1075: Significados XII

#1070

O que é mais último, a última inspiração ou a última expiração? Morremos com o ar dentro, de peito cheio, ou suspiramos uma última vez?

#1069

Deveria ser pregunta – como no castelhano – em vez de pergunta; a pergunta – a prégunta – está sempre antes.

#1068

Invisível ou transparente?

#1067

Quão mais pesado está o caderno de notas agora que está completo?

#1066

Fica-se mais pesado com barba?

[EXTRA #223]

214ª Semana: #1066 a #1070: Perguntas IV

#1065

Os braços de bruços.

#1064

Boca aberta, beco sem saída.

#1063

Deep Purple, Pink Floyd, Rosa Choque.

#1062

Parente pobre, rima rica, palhaço pobre.

#1061

Hora H, dia D, ano 0.

[EXTRA #222]

213ª Semana: #1061 a #1065: Pares XIX

#1060

Limpa-chimpanzés.

#1059

O pombo, ao levantar voo, bate sempre quatro ou cinco palmas.

#1058

A borboleta parece sempre perdida, como a tontearia de uma barata.

#1057

As asas de pétala da borboleta.

#1056

Mais valem dois pássaros a voar do que um na mão.

[EXTRA #221]

212ª Semana
#1056 a #1060: Animais III

#1055

Como ter medo quando se tem só passado?

#1054

Tu e eu fazemos um ângulo recto.

#1053

Aqui já não ficas.

#1052

Não estrago mais nada.

#1051

Pedi para me deitarem de barriga para baixo.

[EXTRA #220]

211ª Semana
#1051 a #1055: Cinco Epitáfios

#1050

O líquido horizontal apaga a chama vertical.

#1049

A chama estica-se em altura – o ar quente também sobe – enquanto os líquidos se estendem – como referência – na horizontal.

#1048

Ao rápido relâmpago do risco do fósforo segue-se a lentidão da chama da vela.

#1047

O termómetro é lento.

#1046

O ritmo permite a repetição; a repetição cria o ritmo.

[EXTRA #219]

210ª Semana
#1046 a #1050: Constatações XXX

#1045

O vidro resulta de uma fortuita fogueira numa praia; com o calor, a areia derreteu e espantou o pré-histórico com uma súbita transparência.
Vidro à beira-mar.

#1044

O caixote do lixo é a parte da casa que já não faz parte da casa; o interior do caixote do lixo é já rua.

#1043

A dor funciona apenas na vigília.

#1042

A recordação (a memória) é possível porque o tempo é transparente.

#1041

A exactidão enxuta da poesia não obriga o texto a chegar ao fim da linha.

[EXTRA #218]

#1041 a #1045: Constatações XXIX

#1040

Uma grávida junto a uma campa; uma grávida no cemitério. (loop).

https://inappropriatepoetry.wordpress.com/2012/10/04/49/

#1039

Bebidas quentes de manhã, bebidas frias à noite.

#1038

O bandulho do gandulo.